Seu Jorge lança álbum à altura da voz, entre a leveza do balanço da bossa e a suntuosidade dos arranjos orquestrais

  • 08/05/2026
(Foto: Reprodução)
Seu Jorge em imagem do encarte da edição em LP do álbum 'The other side' Reprodução / Instagram Seu Jorge ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: The other side Artista: Seu Jorge Cotação: ★ ★ ★ ★ ★ ♬ “Eu sei que venho lutando / Com esta vida de desvalença / Eu sei que luto sozinho / Pois ninguém nunca me ajudou”, desabafa Jorge Mário da Silva, o artista conhecido como Seu Jorge, no canto de “Crença” (Milton Nascimento e Márcio Borges). Esses versos de Márcio Borges – letrista da música apresentada em 1967 no primeiro álbum de Milton Nascimento – são as primeiras palavras cantadas por Jorge no álbum “The other side” e soam como manifesto de resiliência deste cantor, compositor e músico carioca que entrou em cena em 1998 como vocalista do grupo Farofa Carioca. Lançado hoje, 8 de maio, oito anos após a conclusão das gravações em dezembro de 2018, “The other side” é o primeiro álbum solo de Seu Jorge com sonoridade e repertório à altura da voz grave e encorpada do intérprete. Leia a entrevista do cantor ao g1: “Por que Seu Jorge demorou mais de 15 anos para lançar o álbum que ele diz ser a sua cara” Após sair da banda Farofa Carioca, o artista iniciou carreira solo há 25 anos com ótimo álbum, “Samba esporte fino”, arquitetado em torno do samba-rock. Contudo, de lá para cá, apresentou discos irregulares, alguns em linha populista, caso sobretudo de “América Brasil” (2007), álbum que amplificou a popularidade do cantor por conta dos hits autorais “Burguesinha” e “Mina do condomínio”. Com grandiosa produção musical orquestrada por Jorge com o mesmo Mario Caldato Jr. que trabalhou na produção do supracitado “Samba esporte fino”, “The other side” é álbum valorizado pelos arranjos orquestrais de Miguel Atwood-Ferguson. A maestria de Atwood-Ferguson é exemplificada pela profusão de cordas e sopros que embalam “Vento de maio” (Telo Borges e Marcio Borges, 1979), canção que ganha majestosa abordagem de Jorge em feat com Maria Rita. Ouve-se dois grandes cantores que levam “Vento de maio” para outras atmosferas em tons expansivos. Em contrapartida, Jorge experimenta tons bem mais serenos no toque do violão e sobretudo no canto de “Girl you move me” (Frenchie Thompson, 1972), música do repertório da banda canadense de funk e soul Cane and Able. É como se, na faixa, Jorge reverenciasse a bossa e o canto e o violão decisivos de João Gilberto (1931 – 2019) – impressão reiterada na faixa seguinte, “Luz na escuridão”, samba inédito de Cezar Mendes com letra de José Carlos Capinan. Outra parceria de Mendes e Capinan, “Flor de laranjeira” (2016) – samba-canção lançado há dez anos por Emanuelle Araújo no primeiro álbum solo da cantora – também desabrocha nessa leveza que, mesmo sem ser bossa nova, reverbera modernidades da revolução musical de 1958. A pegada da abordagem de “Caboclo” (Arthur Verocai e Vitor Martins, 1972) – lembrança mais surpreendente dentre as sete músicas regravadas pelo cantor (as outras quatro são inéditas) – devolve suntuosidade ao álbum em ambiência rocker construída pelo toque atmosférico da guitarra de Michael Valeanu, destacada no arranjo. O samba de cadência tradicional deita e rola no ritmo de “Folia de amor” (Mariana Bergel e William Pinto Magalhães) com o refinamento que caracteriza o álbum “The other side”, título de melhor acabamento da discografia solo de Seu Jorge. Outro samba, “Quando chego”, composto e cantado por Jorge com Marisa Monte, tem o já conhecido ar tribalista entranhado na obra da cantora (Arnaldo Antunes, não por acaso, também assina o samba com Jorge e Marisa). Introduzida por sons de mar, a regravação de “Far from the sea” – música de Robertinho Brant e Emerson Penha lançada por Bebel Gilberto em álbum de 2009 – navega em calmaria, com vocais adicionais do quarteto belga Zap Mama, ilustrando bem o tom mais íntimo de boa parte do álbum. É nesse leito sereno que flui o rio de “River man” (1969), música do cantor e compositor britânico Nick Drake (1948 – 1974) interpretada por Seu Jorge com o cantor britânico Beck em belo encontro de vozes graves. Samba-canção bafejado pelos sopros do sax tocado pelo próprio Jorge e pelo clarinete de Pedro Dom, em inebriante gravação que roça os sete minutos e meio, “Beleza bárbara” (Leo Tomasini e Joey Altruda) encerra álbum situado entre a leveza do balanço da bossa e a suntuosidade dos arranjos orquestrais de Miguel Atwood-Ferguson. Enfim, “The other side” é o melhor álbum de Seu Jorge pela combinação refinada de canto, repertório e arranjos. Valeu a pena esperar 17 anos desde a idealização do disco em 2009 até o lançamento do álbum neste mês de maio de 2026. Capa do álbum 'The other side', de Seu Jorge B+ / Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/05/08/seu-jorge-lanca-album-a-altura-da-voz-entre-a-leveza-do-balanco-da-bossa-e-a-suntuosidade-dos-arranjos-orquestrais.ghtml


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