Foragido, MC Negão Original lança música que chega ao top 20 do Spotify em duas semanas; entenda

  • 19/06/2026
(Foto: Reprodução)
O funkeiro MC Negão Original Reprodução/Instagram O funkeiro MC Negão Original, foragido da polícia por uma suposta participação em um esquema de estelionato virtual, vive um dos seus melhores momentos como artista. Sua música mais recente, “Cuida do Pet”, alcançou a 13ª posição no top 20 do Spotify em duas semanas. 🚨A lei não impede que uma pessoa foragida lance ou divulgue seu trabalho – e isso não é considerado um novo crime (leia mais abaixo). Feita em parceria com Aaron Modesto, Willian, Iguinho CT e DU’L, a canção “nasceu” antes de João Vitor Marcelino Guido, nome verdadeiro do artista, ter sua prisão decretada pela Justiça e seu paradeiro considerado desconhecido pela polícia. O cantor já tinha feito sua parte na música, cujas prévias viralizaram nas redes sociais entre março e abril. O trecho de Negão Original foi o de maior destaque. Sua parte fez tanto sucesso que ganhou uma versão própria, chamada de “Por Isso Ela Mente”. As prévias desse trecho somam mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e TikTok. Ao saber que a versão não finalizada estava em alta, MC Negão Original entrou em contato com os outros envolvidos na canção e sugeriu que uma versão oficial fosse lançada. Com direito a videoclipe. Porém, MC Negão Original gravou sua parte isolado dos outros participantes da música, todos em locações diferentes. O videoclipe oficial atingiu a marca de 1 milhão de visualizações em uma semana. Já uma versão feita por IA, lançada no fim de maio, acumula 2 milhões de views no YouTube. As suspeitas sobre MC Negão Original Polícia investiga MC Negão Original por ligação com esquema de estelionato virtual Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil deflagrou uma operação que investiga uma organização criminosa especializada em golpes virtuais. Segundo os investigadores, o artista teria ligação com um esquema de estelionato que fez vítimas em diversos estados e movimentou cerca de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos. De acordo com a polícia, criminosos enviavam mensagens de texto ou áudio se passando por funcionários do INSS. Em seguida, solicitavam às vítimas uma suposta “prova de vida” para evitar o bloqueio do benefício. Durante a abordagem, os golpistas convenciam principalmente idosos a participar de chamadas de vídeo e instalar aplicativos em seus celulares. Na prática, esses aplicativos permitiam o acesso remoto aos aparelhos e capturavam dados pessoais, senhas bancárias e outras informações sensíveis. LEIA TAMBÉM: Polícia Civil de SP prende 10 em operação contra quadrilha de golpes digitais e bloqueia contas com até R$ 100 milhões Polícia investiga MC Negão Original por ligação com esquema de estelionato virtual Rauls: como funk transformou estelionatários digitais em personagens de músicas e de série Ainda segundo a polícia de São Paulo, trechos das canções do MC Negão Original chamaram a atenção dos investigadores durante a apuração do caso. Entre as gírias que aparecem nas músicas está o termo “Raul”, usada para se referir a golpistas — pessoas que enganam vítimas para obter dinheiro. Outra gíria citada nas letras é “7”, referência ao artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) que afirmou que "diligências para a localização e prisão do MC Negão Original e dos demais envolvidos no caso estão em andamento". A reportagem tentou contato com a defesa do funkeiro. O espaço será atualizado caso haja algum retorno. Um foragido pode lançar e divulgar seu trabalho? O funkeiro MC Negão Original Reprodução/Instagram Sim, uma pessoa que está foragida pode seguir trabalhando normalmente e não está cometendo nenhuma ilegalidade por isso. Euro Bento Maciel Filho, mestre em Direito Penal, explicou ao g1 que a situação de MC Negão Original não é incomum. “O dever de encontrar uma pessoa foragida é do Estado. Nesse caso, o artista não tem obrigação de se entregar à polícia, por exemplo. Mesmo foragido, ele tem direito ao trabalho. Eu, por exemplo, já acompanhei casos em que a pessoa fica foragida até o trânsito em julgado [quando não há mais possibilidade de recurso]. Ele afirmou também que as pessoas envolvidas nos lançamentos das músicas não cometeram crime. “O código penal diz que o crime está em ‘auxiliar um criminoso a fugir ou se esconder’. Quem produz ou trabalha na divulgação com o artista não se encaixa nesse parâmetro. Ajudar, por exemplo, seria emprestar o carro para alguém que sabidamente está foragido e quer fugir.” Como o funk tem cantado os Rauls? Como o funk vem documentando a história dos estelionatários digitais, conhecidos como Raul Principalmente a partir dos anos 2010, o funk paulistano vem cantando sobre a vida dos Rauls. Não necessariamente sobre os golpes aplicados, mas como os criminosos usufruem do dinheiro roubado. Nomes como MC Kelvinho e MC Kapela ficaram conhecidos por cantarem, quase que exclusivamente, músicas com estelionato como tema. Um dos grandes sucessos de Kelvinho, “O Corre”, tem 22 milhões de visualizações no YouTube e conta com os seguintes versos: "Os caras que vivem de golpe / Nocaute no Santa [banco Santander] / É nós que é o corre / E os bicos se espanta / A Civil tenta dar o bote / Tá osso ir em cana / Tá pago o acerto / E a vida tá mansa" A reportagem conversou com três MCs e um produtor musical. Todos pediram para conversar em off com a reportagem, pois temem represálias da polícia e uma possível associação ao crime. Segundo os ouvidos, falar da vida dos golpistas era um nicho dentro do funk. Antes, poucos MCs colhiam o retorno de cantar as dinâmicas do estelionato. A partir dos anos 2020, com o crescimento dos crimes cibernéticos, cresceu também a quantidade de funkeiros que decidiram falar sobre o tema. “A molecada mais nova quer surfar na onda. Se na época do funk ostentação se falava da marca de roupa X ou da moto Y, hoje o negócio é falar dos Rauls, não só pelo crime em si, mas a vida que eles levam por conta dos golpes”, explica um MC. “Nós estamos na favela e a gente convive, mesmo que indiretamente, com essa realidade. Somos iguais a roteiristas de filme. Nós ouvimos e adaptamos histórias da vida real”.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2026/06/19/foragido-mc-negao-original-lanca-musica-que-chega-ao-top-20-do-spotify-em-duas-semanas-entenda.ghtml


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