Marlene, cantora que faria 100 anos hoje, vive na memória da era do rádio e dos shows teatrais

  • 24/11/2022
(Foto: Reprodução)
Rainha na década de 1950, quando caía no samba com ginga e consciência social, a intérprete paulistana soube se reinventar a partir de 1968 com espetáculos de alta carga dramática. ♪ MEMÓRIA – Houve um tempo em que a maior polarização do Brasil surgia no inflamado auditório da Rádio Nacional e era movida pela paixão nacional pelas cantoras do rádio. No racha musical, havia quem fosse Emilinha e havia quem fosse Marlene. Emilinha era a cantora carioca Emília Savana da Silva Borba (1923 – 2005). Marlene era a paulistana Victoria Bonaiutti de Martino (24 de novembro de 1922 – 13 de junho de 2014), cantora que faria 100 anos hoje. Graças à obstinação do historiador Wipsley Mesquita, fã de Marlene, sabe-se a partir de agora que a artista veio ao mundo em 24 de novembro de 1922 – e não em 22 de novembro, como sempre se supôs equivocadamente. Com autorização do Arquivo Público do Estado de São Paulo, Mesquita consultou o livro de parturientes do Hospital Maternidade de São Paulo e descobriu que Marlene nasceu no dia 24, data que também consta no registro original da certidão de nascimento da artista – como o historiador também constatou. Apurada a data real do nascimento, hoje – e todo dia – é dia de celebrar a arte e a memória de Marlene, cantora que animou muitos Carnavais ao cair com ginga e consciência social em sambas como Lata d'água (Jota Junior e Luiz Antônio, 1952), Zé Marmita (Brasinha e Luiz Antonio, 1953), Mora na filosofia (Monsueto Menezes e Arnaldo Passos, 1955) e O apito no samba (Luiz Bandeira e Luiz Antônio, 1959). Esses sucessos marcaram a carreira de Marlene nos anos 1950, década do primeiro apogeu dessa artista projetada na era do rádio e dos cassinos. Só que Marlene entrara em cena antes, no alvorecer da década de 1940, e debutara em disco em 1946 com o single de 78 rotações que apresentou os sambas Swing no morro (Amado Regis e Felisberto Martins) e Ginga ginga moreno (Hélio Nascimento e João de Deus). Marlene (1922 – 2014) em capa de disco de 1960 Reprodução Cantora de tons expansivos, Marlene tinha vocação para ser intérprete. Também atriz, a artista estreou nos palcos há 70 anos na peça Depois do casamento (1952). Antes, apareceu no cinema, atuando em filmes como Corações sem piloto (1944), Pif-paf (1945) e Caídos do céu (1946), geralmente no papel dela mesma, Marlene, estrela da era do rádio. Contudo, a carreira somente ganhou impulso a partir de 1949, ano de ruidosa competição com Emilinha Borba pelo posto de Rainha do rádio em concurso promovido pela Rádio Nacional e vencido por Marlene com certeiros golpes de marketing. Começou ali uma rivalidade com Emilinha que nem sempre era real, mas que os fãs de uma e de outra – estes, sim, rivais – alimentaram com aura lendária. Finda a era do rádio, Marlene amargou tempos difíceis nos anos 1960. Mas se reinventou a partir do show Carnavália, apresentado em 1968. Inicialmente um fracasso de público, o show se tornou cultuado e abriu caminho para espetáculos mais teatrais, de alta carga dramática. Eternizado em disco, o show Te pego pela palavra (1974) é o grande sucesso de Marlene nessa área, tendo sido roteirizado e dirigido por Hermínio Bello de Carvalho com notória influência dos espetáculos idealizados pelo diretor e roteirista Fauzi Arap (1938 – 2013) para Maria Bethânia. Antes, Fauzi e Hermínio conduziram Marlene em cena em outro memorável show teatral, É a maior!, estreado em 1969, quatro anos antes de a intérprete encenar com Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri (1934 – 2006) a densa peça Botequim (1973), cuja trilha sonora também está perpetuada em disco. Para todo um lado da guerra Emilinha x Marlene, a centenária Victoria Bonaiutti de Martino foi mesmo a maior pela habilidade com que cantou samba, transitou por músicas nordestinas e, a partir da década de 1970, renasceu ao dar voz a grandes compositores da MPB como Gonzaguinha (1945 – 1991), João Bosco e Ivan Lins. Viva Marlene! Marlene em imagem da fase madura, quando já vivia das glórias do passado Reprodução GloboNews

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/11/24/marlene-cantora-que-faria-100-anos-hoje-vive-na-memoria-da-era-do-radio-e-dos-shows-teatrais.ghtml


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